1.8.08

E se vos disser?


Imagem daqui

Que estou muito cansada.

Que estou farta de ter a minha vida (muito) condicionada por questões financeiras.

Que estou farta do Credo e de ser evangelizada à força.

Que estou danada com o IEFP por não dar resposta ao projecto da empresa, vai já para sete meses.

Que já não aguento trabalhos temporários, os recibos verdes e não ter direito a nadinha.

Que estou aqui, estou a mandar a psicologia às urtigas, mais aos governantes que deixam abrir 1356 cursos da mesma licenciatura.

Também não há mais nada, bem sei...

Será tarde demais para ser puta?

Hum... para isso não tenho coragem.

Talvez imigrar.

Sei lá!


14 comentários:

Anónimo disse...

A vida não é simples, nem fácil, nem um dado adquirido. Mas é a vida. A vida pode ser vivida de muitas maneiras. Às vezes a vida pára (ou assim nos parece, claro) e nós paramos com ela (ou assim o julgamos). Há momentos na vida em que temos de tomar uma decisão quando isto acontece. Temos que mudá-la de pernas para o ar. Virá-la, mandá-la ao ar, experimentar e arriscar. É preciso tomar uma decisão, pois só de decisões vive a vida. Decidir que roupa vestir, decidir como vamos ocupar o nosso tempo, decidir que nome dar ao filho, decidir contar a verdade ao marido sobre o amante, decidir ocultar-lhe isso, decidir, decidir, decidir. Há um momento em que sabemos como a vida vai ser, a partir do que ela tem sido. É nesse momento que temos de ter a coragem para tomar uma decisão: ou aceitamo-la como é/está, tendo paciência, e admitindo que poderá vir a mudar, ou então mudamo-la e pronto: esquecemos tudo o que sabemos e vamos à procura do que queremos. É difícil? Não. Tomar a decisão é que custa. Depois de decidir se partimos ou ficamos, se aceitamos o que temos ou queremos mais, tudo fica mais fácil. Decidir. Ultrapassar o medo, as limitações impostas por esse medo e seguir em frente. Antigamente, a fome obrigava-nos a pegar numa malinha de cartão cheia apenas com um pedaço de côdea ressequida e a fugir da desgraça. Saía-se de casa ainda na puberdade e mudava-se de país e de costumes, deixando-se a família para trás. E esses jovens analfabetos, sem alternativas, vinham a tornar-se grandes homens e grandes mulheres. Hoje em dia, há malas maiores e mais resistentes onde pode colocar-se algo mais que a côdea para a viagem. Resta estar-se disponível para viajar. E a fome, ao contrário do que se pensa, não se resume hoje apenas à falta de alimento. Há diversos tipos de fomes e de sedes. É preciso correr-se o mundo para saciá-los, a comida caseira não é suficiente apesar de estar sempre acessível. Temos de sair de "casa" para dar de comer à alma.

Quiiiiico!

Paula disse...

Ó moça, também estás a precisar de férias de tudo e de todos, não é?!
Respira fundo e vais ver, que mais dia menos dia, as coisas resolvem-se!
Força!
:)
Bjs!

Precários Inflexíveis disse...

citámos este post aqui:
http://precariosinflexiveis.blogspot.com/2008/08/precariosfera-contra-ataca.html

Fases como a Lua disse...

Ai miga... desconfio que até pr'ás putas a vida tá difícil. A concorrência já é muita... pelo menos para aqui para as minhas bandas. Dasss, parecem cogumelos...

Pythea disse...

Como te compreendo mulher...eu cà se pudesse mudava marimbar tudo e todos...quando é demais, é demais...@#* nem 8 nem 80!

Um abração!

Paulo disse...

não me surpreende o que sentes. nada. sinto-me mais ou menos assim! inútil. a tua pergunta é bem pertinente. será que aceitam gajos de 33 anos lá no lupanar? eu bem tento sorrir... espero que tenhas melhores hipóteses que eu!
abraço

Pedaços de Cereja disse...

Não que queira mostrar uma visão pessimista.
Aconteceu o mesmo a uma amiga minha. Licenciada em psicologia há 3 anos, sem arranjar emprego.
Licenciada e a trabalha num balcão da zara.
Imigrou há cerca de 2 meses para a suiça.
E garanto-te que está a trabalhar no que é licenciada, e com condições excelentes.

Uma tristeza, o nosso pais. Preferem por nos cargos os primos, e os tios e os amigos da secretária porque são gente fixe, do que por gente qualificada nos lugares.

Espero que a tua sorte melhore.
Beijinhos *

Catarina Morgado disse...

No passado dia 15 de Julho tomei uma das mais importantes decisões da minha vida...ir embora, sem data de regresso.

Vendi o carro, o recheio da casa, deixei o meu trabalho como free-lancer numa cadeia noticiosa europeia de renome e comprei um bilhete para Hong Kong...dali quero ir para a Nova Zelândia.

Não quero continuar a viver para o banco, para a renda da casa, nem sequer para os planos que nunca se realizam nem sequer se realizarão num futuro próximo.

Quero viver, quero conhecer e, acima de tudo, quero respirar...nem que seja numa das mais poluídas cidades do mundo como é hong kong!!

Folgo para que ganhes asas...eu já as tenho...dê lá por onde der!

bj

Mariana disse...

todos temos problemas,uns mais graves do q outros mas temos q tentar dar a volta à situaçao,melhores dias viram.
convido-a a passar no meu blog
bjs grandes

vaandando disse...

Cum carago Celeste , nada mais , pois poisei , e a música encheu-me logo o ouvido ... Depois vem o texto , amargo , claro , e a solidariedade , quero ficar, posso? ...
abraço solidário
JRMarto

Sofia disse...

Ui, isto está mau, todos sabemos.

A minha irmã tirou psicologia, terminou em 2003... mas como só arranjou trabalho de voluntariado mandou o curso às urtigas e já está no último ano de enfermagem.

Agora fala-se na precaridade dos enfermeiros... acho que se ela não consegue emprego em 2009, dá um tiro em alguém!!!

Foge, perder 10 anos da vida a estudar para o c@#@§%* é que ninguém aguenta!

Eu, licenciada em Design (interiores) também fico irritada de saber que desperdicei 4 anos da vida a estudar para agora, ao fim de 10 anos de trabalho, ganhar menos que no início!!!

O futuro do país está cada vez mais negro... e não se adivinham melhoras, o que me deixa com um pé no trampolim e a cabeça a 1000!

Celeste disse...

Obrigada ó malta, sério!

Ele há dias difíceis, mas não vou desistir. Nunca. :)

Beijinhos para todos****

E Lolas, até que enfim que escreveste um texto no meu blog ;) *** Não se esqueçam do meu torrone, bale?

Anónimo disse...

Olá Celeste!

Há uns tempos entrei no maravilhoso mundo dos blogs, através de um amigo que está longe…fiquei “maravilhada”!! Só não tive ainda coragem de criar o meu blog, mas tou tentada…quem sabe um dia! Continuando…
Já sou visita habitual do teu blog só que ainda não tive coragem de deixar um comentário, sei lá…faz-me confusão não te conhecendo (sentimento parvo de quem anda nisto dos blogs há pouco tempo)…mas isto vai lá aos poucos!
Mas ao ler este post não resisti… Tenho uma prima que esteve na mesma situação, Psicóloga, especialidade em ensino especial (não sei se é uma especialidade…mas pronto!! Dá-me um desconto!! Trabalha especialmente com crianças que estão integradas no chamado “ensino especial”). Enfim, resolveu semi-emigrar…ou seja, Madeira! Sei que todos os anos abrem concursos para lá, e tem como vantagem ficar efectiva em pouco tempo (correndo tudo bem, claro!) e como desvantagem a baixíssima hipótese de voltar para o Continente (falando a nível de transferência)! Não sei se já tinhas pensado nesta hipótese…mas aqui fica a sugestão!
Beijocas e tudo de bom!
Inês

leonorsousa disse...

Adorei a tua sinceridade. Como te compreendo, Celeste.

Se te anima, somos muitos no mesmo barco - não é por acaso que eu estou sempre a dizer que sou uma pelintra...

Eu também conto os cêntimos até ao fim do mês e faço malabarismos tragicómicos com o meu orçamento. Eu também vivo no arame sem rede que são os recibos verdes, sem certezas e sem poder fazer planos que envolvam $$$.

Mas, agora que tenho passado por (muitas) dificuldades e incertezas financeiras, tenho começado a dar valor às coisas mais simples e que não têm preço: a minha saúde, a maneira como a minha cadela me recebe quando chego a casa ou o olhar do meu namorado. Bem sei que soa a lamecha, mas tem sido assim.

"Rico não é aquele que tem muito. É aquele que precisa de pouco para ser feliz."

Um beijinho desta pelintra que te curte :-)