20.8.09

O porquê de tudo, e porque tudo tem um porquê...


Chegou com o cabelo comprido a esconder-lhe os olhos e o telemóvel na mão, como se de uma arma se tratasse. Uma arma contra a invasão da sua vida interior, contra intromissões indesejáveis.

Corpo de menina, roupa de mulher. Olhos pintados de negro e piercings cor de prata a enfeitarem-lhe o rosto triste. Olhar cabisbaixo, sorriso tímido no canto dos lábios.

Uma criança-mulher de 14 anos. Ou será mulher-criança? Uma vida difícil, desamparada, desprovida de afectos seguros. Álcool, drogas, experiências de deslembrança… Vontade de mudar, de encontrar um caminho, de saber quem é. Fragilidade. Muita solidão.

Duas horas de conversa, de partilhas, também minhas e dos que fui conhecendo ao longo da vida. Como exemplo(s). Ou agora os psicólogos não têm vida? Ora essa…

Um à vontade progressivo, uma cabeça que se foi levantado e uma boca com sorrisos já rasgados. “Oops, tratei-a por tu!”

Reflexões conjuntas, uma ideia muito importante. Miúda, antes de mais nada, tens que ser a tua melhor amiga. Sim, que isso de desculpar aos outros aquilo pelo qual nos auto-flagelamos não está com nada! Lembra-te disso naqueles momentos.

Votos sinceros de boa sorte e um folheto com o meu mail escrito a caneta azul, daquelas oferecidas pelas escolas profissionais, e que escrevem fininho. Devem ser mais baratas, digo eu.

“Obrigada!” Então porquê? Pfff, foi um prazer miúda! E acontece que ainda me pagam por cima. Entendo-te e aceito-te como és. Valha-me Deus, a culpa não é tua! A vida é que é difícil. E para uns um bocadinho mais que para outros. Tem cuidado, há cenas que só alimentam as nossas sombras. Boa sorte!

E sim, é nestes momentos que sei que adoro o que faço. E sou feliz!

3 comentários:

luisa disse...

Simplesmente magnifico...
Beijos
Marilú

Tata disse...

falou a mim também!:-)

Denise disse...

Ui Celeste!
Gostei do texto mas ainda mais da história.
Parabéns pelo humanismo e pelo profissionalismo.
:-)