3.9.08

A filósofa

A minha semana iniciou-se com o regresso ao trabalho... e com um momento luminoso proporcionado por uma mini-filósofa, daquelas de mão-cheia. Para contrabalancear.


Dirigia-me eu para a porta de um shopping lá da cidade para almoçar junk food israelita, quando me cruzo com uma menina pela mão do seu pai. A garotinha teria uns 6 ou 7 anos, um sorriso radioso e uma caixa pequena da Pizza Hut na outra mão. Quem me conhece sabe que eu acho possível perceber (sentir, vá!) se a criança é feliz pelos seus olhos. E esta era, radiosa... então com uma pizza na mão, só lhe faltava levitar! O pai também tinha boa pinta, descontraído e sorridente.

Quando nos estavamos quase a cruzar, heis que a criancinha se sai com a seguinte afirmação:
"Mas nós somos donos da nossa vida, é ou não é pai? Então podemos fazer tudo o que quisermos."

A sua convicção foi tanta que eu e pai sorrimos imediatamente, trocando olhares cúmplices. Ai a inocência, meu Deus! Tão acertado mas igualmente tão errónio. Que dissonância... e que caraças, também!

Ainda ouvi o pai nas minhas costas "Não é bem assim, também existem os outros, blé, blá, blá...", mas a convicção desta pequena pensadora, tão alegre e cheia de confiança , juntamente com o sol que brilhava iluminando-lhe a face sorridente, fizeram o meu dia.

Nota de redacção: Só faltavam as bolinhas de sabão de mil reflexos para dar ambiente...

2 comentários:

Alfonso Lagarto, Conde de Marialva disse...

O pior é pensar nas desilusões que essa menina vai ter ao longo da vida...

Esoj Odnuges disse...

Só desejo que no futiro seja uma livre-pensadora e que não tenha medo de ir à luta.

Isso é q1ue é preciso, que sem luta não se vai a lugar nenhum.